Governo Regional cede à pressão política e abdica dos critérios técnicos na luta contra a pandemia

PS Açores - 9 de agosto

As mais recentes alterações anunciadas pelo Governo Regional na luta contra a pandemia nos, merecem críticas e alertas por parte do Grupo Parlamentar do PS/Açores: “Assistimos a alterações profundas, perigosas até, e injustificadas do ponto de vista técnico, que revelam que este Governo abdicou da defesa da saúde pública, cedendo a pressões, agindo completamente ao contrário do que anunciou e sendo incapaz de comunicar com assertividade e clareza”, afirmou Tiago Lopes.
“Neste momento é inequívoco que o combate à Pandemia provocada pela COVID-19 tem por base posições políticas em detrimento de posições técnicas", sublinhou o deputado do PS/Açores, recordando que durante meses, este executivo “apregoou a supremacia da técnica sobre a política como crítica velada ao anterior Governo e, afinal, fez o contrário, faltando à verdade e contradizendo-se”.
Igualmente preocupante, acrescenta o parlamentar, “são as contradições públicas entre o que é transmitido pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto, pelo Coordenador do Processo de Vacinação e pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento da Luta contra a Pandemia que, como ficamos a saber, está demissionário desde há quase três semanas, por discordar das opções do Governo nas medidas a implementar”.
Um exemplo desse desgoverno diz respeito à vacinação das crianças e jovens acima dos 12 anos: “Dentro de sensivelmente um mês vai começar o próximo ano letivo e, considerando a posição assumida pelo Presidente da Comissão de Acompanhamento, não se compreende a decisão ontem assumida pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto de não se proceder à vacinação das crianças e jovens acima dos 12 anos de idade”. 
“O que podem esperar todos os encarregados de educação que ainda não sabem como vai o Governo proceder? Se os alunos não vão ser vacinados, que medidas de proteção vão ser tomadas?”, questiona Tiago Lopes, considerando que a falta de respostas do Governo “é preocupante e reveladora de que não há uma estratégia definida, há sim o tomar de decisões consoante as pressões de que são alvo”.
Tiago Lopes dúvida, também, dos critérios definidos na nova matriz de risco: “São profundamente questionáveis esses critérios, desde logo pelo facto de colocar o número de óbitos ocorridos numa semana como um dos fundamentos para a implementação ou não implementação de medidas de controlo da disseminação do vírus SARS-CoV-2. A vida humana deve ser sempre salvaguardada e preservada e um Governo não pode alicerçar a sua intervenção no número de mortes registadas quando tem os meios e os recursos necessários para as evitar”.
Ainda sobre a nova matriz de risco, alerta que “a abolição de testes ao sexto dia, quer nas deslocações para a Região quer nas deslocações interilhas, irá retirar um dos mecanismos de monitorização e controlo da propagação do vírus SARS-CoV-2 que irá, por sua vez, influir determinantemente na incidência de novos casos registados”.
Tiago Lopes refere ainda que, “não obstante tenha sido afirmado pelo Secretário Regional da Saúde e do Desporto que a Região dispõe dos meios e recursos necessários para vacinar a população, é inaceitável que o Governante coloque o ónus do não incremento da taxa de vacinação na Região e o atingimento da imunidade de grupo nos cidadãos alegando que muitos destes não se querem vacinar”.
“O GPPS tem conhecimento de que muitos cidadãos, nomeadamente na ilha Terceira, procuram entrar diariamente em contacto com a Unidade de Saúde de Ilha sem qualquer resposta por falta de atendimento telefónico para que se proceda ao desejado agendamento da sua vacinação”, acrescenta.