Opinião

Ei-lo de volta!

Já temos novamente Presidente da República. É o mesmo, Marcelo Rebelo de Sousa, o que nunca deixou de o ser, exceto no pequenino hiato que durou fazer duas dezenas de entrevistas/debates e uma dúzia de visitinhas institucionais; quase, quase em jeito de campanha eleitoral! O candidato a Presidente foi sempre o Presidente candidato. De uma penada, a nossa democracia funcionou: o ato eleitoral correu com grande serenidade, a abstenção diminuiu e o centrão político voltou a eleger um Presidente à primeira volta. Os portugueses, e em particular os insulares, mostraram gostar do Presidente.
A vitória de Marcelo deixou meio mundo satisfeito: O PSD, porque ele foi seu presidente e anunciou com antecedência o apoio; O PS, porque ele foi amigo do Governo e anunciou a sua recandidatura; o CDS, porque precisava ver uma luz antes de morrer; e o PPM, porque de vez em quando Marcelo lhe fazia lembrar um rei. Regozijaram-se todos e tanto com a vitória, que até o próprio ainda deve estar a pensar, se foi pelo empurrão que lhe deram, se foi pela boleia que apanharam!
No outro meio mundo, o que não ficou muito satisfeito: Ana Gomes teve o mérito de traçar uma linha a separar o liberalismo do socialismo, mas certamente não sabe o que fazer com os 13% dos votos que obteve; Marisa Matias perdeu a graça da primeira candidatura e foi vítima do mau momento em que vive o BE; o candidato do PCP, João Ferreira, chegou estribado num discurso do século XX, para um Portugal que vive no século XXI. Se BE e PCP não tiverem juízo, ainda acabam em ruínas políticas!
Quanto ao candidato da IL, Tiago Mayan, não percebeu que ser-se liberal não é suficiente para se ser político; depois, tivemos o Tino, que sabe muito bem que o país gosta de rir; para, finalmente, termos o Chega e o seu líder Ventura ou, o líder Ventura e o seu Chega - pode alguém saber se surgiu primeiro a galinha ou o ovo?
Este último partido sai destas eleições com o seu BI mais completo. Pois, já sabíamos que a democracia ao não saber lidar com os seus inimigos, era a sua “mãezinha”, e isto de deixar lavrar franjas de pobreza, descurar a segurança das populações, não fiscalizar quem precisa de prestações sociais, não exigir responsabilidades às empresas que sacam apoios públicos e não prender ladrões de colarinho branco, tem sido nutrientes suficientes para sustentar aquela bizarria política, que já tem 12 % de votos na República e mais de 9% na Região; aqui, qualquer dia exigem ir para o governo?
Também já sabíamos que o Chega tinha muitos “irmãozinhos” na Europa e pelo mundo fora, o que ainda não sabíamos era identificar entre nós o seu “paizinho”, mas, a paternidade já está encontrada: É o PSD de Rio! Que desgraça de partido que não consegue segurar os seus militantes e simpatizantes e deixa-os seguir livre e diretamente para o Chega! E aquela ideia de manifest destiny de que a direita liberal e iliberal podem funcionar com as suas votações em sistema de ampulheta; reconfiguração política perigosa a demandar do governo e do PS muita atenção, até porque os partidos da esquerda radical, na luta pela sua sobrevivência, podem voltar a ser partidos de protesto e não de governo.
Mas, o PS também não deixa de ser um “tiozinho” deste Chega, pois tem sido incapaz de resolver muitos dos problemas atrás elencados, e se ficar à espera que o PSD faça demarcação ou o Presidente da República blinde a sua ação, as coisas podem correr mal, é que o PS no governo da República não vai para novo, a pandemia e as suas consequências estão para durar e as eleições autárquicas estão à porta e, já se prevê que não serão apenas os autarcas do PSD e do CDS a saltarem os respetivos limbos partidários!?.