O Grupo Parlamentar do Partido Socialista dos Açores considera que os resultados do PISA 2025, programa da OCDE que visa avaliar o nível de escolaridade, devem constituir um sinal de alerta e motivar uma reflexão séria sobre as políticas educativas desenvolvidas na Região.
De acordo com Inês Sá, deputada socialista, “os dados agora conhecidos mostram que os alunos açorianos continuam abaixo da média nacional nos principais domínios avaliados. Em Ciências, os Açores obtiveram 461 pontos, menos 21 do que a média nacional; em Leitura, 440 pontos, menos 22; e em Matemática, 440 pontos, menos 20. Na resolução computacional de problemas, a Região alcançou 486 pontos, face aos 501 registados no conjunto do país.”
Para a parlamentar, “estes resultados devem ser analisados com rigor. Existe uma recuperação relativamente a 2022, que deve ser reconhecida, num contexto em que Portugal e a generalidade dos países participantes têm registado uma tendência de descida. Contudo, essa recuperação não pode esconder que os Açores continuam sem alcançar os resultados que já tinham obtido há uma década.”
A este propósito, Inês Sá recorda que em 2015, a Região registou 470 pontos em Ciências, 470 em Leitura e 462 em Matemática. Em 2025, os resultados correspondem a menos 9 pontos em Ciências, menos 30 em Leitura e menos 22 em Matemática.
“A recuperação relativamente a 2022 é positiva, mas recuperar do pior resultado não significa que tenhamos chegado onde queremos. Dez anos depois, os nossos alunos continuam abaixo dos resultados que os Açores já conseguiram alcançar e abaixo da média nacional. É sobre isto que temos de trabalhar, sem triunfalismos e sem desculpas”, considera Inês Sá.
A socialista realça, também, que a Madeira alcançou 490 pontos em Ciências, 465 em Leitura, 465 em Matemática e 514 na resolução computacional de problemas, superando os Açores em todos os domínios.
Para Inês Sá, esta realidade demonstra que a insularidade, apesar dos constrangimentos que impõe, não pode justificar por si só a persistência das dificuldades educativas na Região.
Os dados nacionais evidenciam igualmente o peso das desigualdades sociais no desempenho escolar. Em Matemática, existe uma diferença de 99 pontos entre os alunos de contextos socioeconómicos mais favorecidos e os mais desfavorecidos, sendo este fator responsável por cerca de 17% da variação dos resultados em Portugal.
“Não existe política educativa desligada da política social. Combater a pobreza, apoiar as famílias, garantir recursos às escolas e assegurar igualdade de oportunidades são também formas de promover o sucesso educativo”, sublinha a deputada.
Inês Sá chama ainda a atenção para a reduzida dimensão da amostra regional: apenas 149 alunos de seis escolas participaram no PISA 2025, circunstância que exige prudência na interpretação dos resultados.
“Em 2015, os Açores optaram por um exercício muito mais abrangente, envolvendo 47 escolas e 1.534 alunos, o que permitiu obter dados regionais mais robustos”, relembra.
Neste sentido, Inês Sá defende que o Governo Regional deve assegurar, nos próximos ciclos, uma participação regional mais representativa, permitindo acompanhar com maior rigor a evolução das aprendizagens e avaliar o impacto das políticas educativas.
“Os Açores não podem conformar-se com permanecer abaixo da média nacional. Reconhecer as melhorias é importante, mas é igualmente importante perceber quanto falta fazer. A Educação exige continuidade, avaliação, rigor e políticas construídas a partir da evidência. Os nossos alunos merecem essa exigência,” realça Inês Sá.
Inês Sá conclui, afirmando que “o PS/Açores continuará a defender uma escola pública que promova aprendizagens efetivas, combata as desigualdades e garanta a todas as crianças e jovens açorianos as condições necessárias para desenvolverem plenamente as suas capacidades.”
Horta, 10 de setembro de 2026