Visita estatutária ao Corvo exige mais do que anúncios e promessas repetidas

PS Açores - Há 2 horas

O Partido Socialista do Corvo considera que a visita estatutária do Governo Regional à ilha constitui um importante momento de proximidade institucional e de contacto direto com a realidade da população. Mais do que cumprir uma obrigação prevista no Estatuto Político-Administrativo, estas deslocações devem servir para ouvir os corvinos, identificar constrangimentos e apresentar soluções concretas para os desafios que a ilha enfrenta.

As especificidades do Corvo exigem uma atenção permanente em matérias essenciais como os transportes, a saúde, a educação, a habitação, a conectividade e a sustentabilidade económica. Por isso, cada visita estatutária deve traduzir-se em medidas concretas, acompanhadas de prazos e garantias de execução, para que os problemas da ilha deixem de ser sucessivamente adiados.

O PS Corvo regista positivamente as reuniões realizadas com as instituições locais e os anúncios efetuados durante a visita. Toda a iniciativa que contribua para melhorar as condições de vida da população deve ser valorizada.

Contudo, a experiência dos últimos anos obriga a prudência. Os corvinos já ouviram demasiados anúncios que nunca chegaram a traduzir-se em obras ou respostas efetivas. O que verdadeiramente importa não é o número de reuniões realizadas nem de comunicados emitidos, mas sim aquilo que ficará no terreno quando terminar a visita do Governo Regional.

Persistem problemas estruturais que continuam sem solução. Os constrangimentos nos transportes mantêm-se, condicionando a mobilidade de residentes e visitantes e limitando o desenvolvimento económico da ilha. O acesso à habitação continua a dificultar a fixação de jovens e de profissionais essenciais, enquanto a prestação de cuidados de saúde permanece dependente de recursos limitados e de uma forte articulação com outras ilhas. Também a escassez de oportunidades económicas continua a pesar na decisão de muitos jovens sobre permanecerem ou não na sua terra.

Ao mesmo tempo, continuam por concretizar investimentos há muito anunciados, como a requalificação da aerogare do Corvo, a construção do novo quartel dos Bombeiros Voluntários do Corvo, a requalificação da Estrada do Caldeirão e as intervenções necessárias no cais do Porto da Casa. A estas situações junta-se a ausência de uma solução clara para a substituição das aeronaves Dash Q200 da SATA Air Açores, indispensáveis para garantir ligações aéreas fiáveis e adequadas às necessidades da população.

Cada um destes atrasos tem consequências concretas na vida dos corvinos. A falta de investimento nas acessibilidades, nas infraestruturas e nos equipamentos públicos condiciona a mobilidade, afeta a segurança, fragiliza a prestação de serviços essenciais e limita as oportunidades de desenvolvimento da ilha. Numa comunidade pequena e particularmente isolada, cada projeto adiado representa uma oportunidade perdida para melhorar a qualidade de vida e criar condições para fixar população.

É igualmente inevitável recordar que muitos dos atuais responsáveis políticos criticavam tudo e todos quando estavam na oposição, e hoje perante as dificuldades nos transportes, as carências das infraestruturas e o atraso em investimentos considerados prioritários já não se vê a mesma exigência do passado e até fazem querer que tudo está bem.

Passados vários anos de governação, não podem agora apresentar como resolvidas situações que continuam evidentes para quem vive diariamente no Corvo.

O verdadeiro balanço desta visita estatutária não será feito pelos anúncios apresentados, mas sim pela sua concretização. Os corvinos não avaliam a ação governativa pelo número de promessas nem pelos comunicados emitidos. Avaliam-na pelas obras realizadas, pela melhoria dos serviços públicos e pelas respostas concretas que recebem para os problemas que enfrentam.

Também por isso, importa recordar que o sucesso da ação governativa não pode medir-se apenas pela execução financeira dos programas ou pelos números apresentados. Os investimentos realizados, nomeadamente na Unidade de Saúde da Ilha do Corvo, são importantes e merecem reconhecimento, mas não podem servir para esconder o atraso de outros projetos estruturantes que continuam sem resposta. O desenvolvimento da ilha mede-se pela concretização das obras prometidas e pela melhoria efetiva da qualidade de vida dos corvinos.

O Corvo tem demonstrado, ao longo da sua história, uma enorme capacidade de resistência e resiliência. Os seus habitantes continuam a afirmar-se apesar dos constrangimentos inerentes à insularidade e ao isolamento. O mínimo que podem exigir é que o Governo Regional cumpra os compromissos assumidos e garanta que a igualdade entre açorianos não fica apenas nas declarações oficiais.

Depois de sucessivos anúncios e promessas repetidas, os corvinos esperam agora que o Governo Regional passe das palavras aos factos. O Corvo não precisa de mais diagnósticos nem de mais expectativas. Precisa de investimentos concretizados, compromissos cumpridos e respostas que melhorem efetivamente a vida de quem escolhe viver na ilha mais pequena dos Açores.