“Decisões do Governo após o incêndio agravaram número de utentes a aguardar por cirurgia e tempo de resposta”, diz PS/Açores

PS Açores - Há 2 horas

O Grupo Parlamentar do PS/Açores alertou hoje que, mais de dois anos após o incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), os Açorianos enfrentam uma resposta cirúrgica mais degradada, com mais utentes em lista de espera, maiores tempos médios de espera e menos cirurgias realizadas.

Para o Vice-Presidente do GPPS, Carlos Silva, os números atualmente conhecidos demonstram que “nunca houve tantos Açorianos à espera de cirurgia”, apontando que, em março de 2026, existiam quase 13.500 utentes em lista de espera no Serviço Regional de Saúde, mais 20% do que em fevereiro de 2020 e mais 26% do que em abril de 2024.

O socialista salientou ainda que os tempos médios de espera para cirurgia também agravaram significativamente, atingindo os 485 dias, “mais de um ano e quatro meses à espera de uma cirurgia”, frisando que metade dos doentes são operados para além do tempo máximo de resposta garantido definido pelas autoridades de saúde.

No caso específico do HDES, o deputado revelou que os indicadores são ainda mais preocupantes, com um aumento de 40% de utentes a aguardar por cirurgia face a abril de 2024 e o tempo médio de espera a atingir os 537 dias, agravando-se em mais 112 dias face ao período pós-incêndio, “o que demonstra que o hospital continua sem conseguir recuperar plenamente a sua capacidade de resposta cirúrgica”.

Carlos Silva considerou igualmente “inaceitável” que a recuperação das salas do bloco operatório do HDES continue atrasada, mais de dois anos após o incêndio, defendendo que o Governo Regional deveria ter dado prioridade à recuperação urgente do edifício principal do hospital.

“Um hospital modular de 40 milhões de euros foi decidido e planeado em dias, mas a recuperação das salas do bloco operatório arrasta-se durante mais de dois anos e meio”, criticou.

Segundo o deputado, a aposta do Governo Regional e do Conselho de Administração do HDES no hospital modular acabou por ser feita “em detrimento da recuperação urgente do edifício principal”, situação que continua a limitar a capacidade de resposta do hospital, incluindo enfermarias que permanecem encerradas.

O dirigente socialista manifestou ainda uma preocupação relativamente aos chamados “casos sociais”, referindo que continuam a existir dezenas de utentes internados sem resposta adequada fora do contexto hospitalar, muitos deles sem alternativa digna para acolhimento e acompanhamento continuado.

“Mais do que falar dos custos diários destes utentes, importa garantir respostas humanas e dignas para estas pessoas”, afirmou, defendendo o reforço de vagas em estruturas residenciais e respostas sociais em São Miguel, de forma a libertar camas hospitalares e assegurar melhores condições de acompanhamento aos doentes e às famílias.

O deputado defendeu, por isso, uma reestruturação do Serviço Regional de Saúde, com o objetivo de garantir “maior eficiência, maior acessibilidade, menos burocracia e respostas mais rápidas”, reiterando que o PS/Açores defende “um hospital moderno, funcional e eficiente, que garanta conforto e dignidade aos doentes, mas também aos profissionais de saúde”.

 

Horta, 20 de maio de 2026