Francisco César alerta para agravamento das listas de espera cirúrgicas e exige respostas estruturais para a saúde nos Açores

PS Açores - Há 1 hora

Francisco César alertou hoje para o agravamento das listas de espera cirúrgicas nos Açores, afirmando que a saúde na Região “não está melhor, infelizmente, está pior”, e defendeu que é necessário passar dos anúncios à concretização de respostas estruturais.

O presidente falava após uma visita ao Centro de Saúde da Ribeira Grande, no dia em que se assinalam dois anos desde o incêndio no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

Francisco César apontou o aumento das listas de espera cirúrgicas como um dos sinais mais preocupantes da degradação da resposta do Serviço Regional de Saúde, referindo que o número de utentes a aguardar cirurgia aumentou cerca de 38% desde 2022.

“O número de pessoas em lista de espera cirúrgica aumentou cerca de 38% desde 2022. A situação não está a melhorar, está a piorar. E, portanto, é necessário dar resposta”, afirmou.

Segundo Francisco César, existem atualmente cerca de 13 mil açorianos em lista de espera cirúrgica, dos quais 3.400 aguardam pela realização da sua cirurgia há mais tempo do que o clinicamente recomendado.

Para o presidente, estes números demonstram que as respostas atualmente em curso não têm sido suficientes para inverter a tendência e que é necessário adotar medidas capazes de reduzir, de forma efetiva, os tempos de espera dos açorianos por cuidados hospitalares.

Francisco César defendeu que o agravamento das listas de espera torna ainda mais urgente uma resposta estrutural para a saúde em São Miguel, considerando que o novo hospital deve ser uma prioridade efetiva e não apenas um compromisso anunciado.

O presidente reconheceu que têm sido feitos anúncios sobre o projeto funcional do novo hospital, incluindo a intenção de criar uma unidade preparada para responder às necessidades da Região nos próximos 25 anos. Ainda assim, sublinhou que continuam por esclarecer aspetos essenciais para os açorianos, como o calendário concreto de execução, o custo final da obra, os encargos futuros de manutenção, o modelo de financiamento e a articulação desta nova unidade com o hospital modular.

Francisco César lembrou que já foram investidos mais de 40 milhões de euros no hospital modular e considerou indispensável que o Governo esclareça qual será o papel desta estrutura no futuro, designadamente se será uma solução transitória, complementar ou permanente.

Para o presidente, a discussão sobre o novo hospital de São Miguel não pode ficar limitada a anúncios ou intenções genéricas. Deve traduzir-se numa decisão clara, calendarizada e financeiramente sustentada, que garanta melhores cuidados de saúde, mais eficiência e uma resposta adequada às necessidades da população.

“Precisamos de um novo hospital, um melhor hospital, com capacidade de resposta às necessidades que a Região vai ter nos próximos 25 anos, e que funcione em complementaridade com os restantes hospitais”, afirmou.

Francisco César advertiu ainda que qualquer solução para São Miguel deve reforçar o Serviço Regional de Saúde como um todo, sem retirar recursos aos hospitais das outras ilhas.

Na visita ao Centro de Saúde da Ribeira Grande, o presidente sublinhou também a importância dos cuidados de saúde primários e reconheceu o trabalho desenvolvido pela administração da Unidade de Saúde de Ilha, apesar das dificuldades registadas nos últimos anos.

Francisco César defendeu que a Ribeira Grande precisa de um novo centro de saúde capaz de dar resposta à sua população e preparado para reforçar a capacidade do Serviço Regional de Saúde em situações de emergência ou catástrofe, como a que ocorreu há dois anos no Hospital do Divino Espírito Santo.

“A Ribeira Grande precisa de um centro de saúde que seja capaz de dar resposta a esta população, mas que também tenha capacidade para, em caso de catástrofes ou situações semelhantes às que aconteceram no Hospital do Divino Espírito Santo, dar a resposta necessária”, afirmou.

Para Francisco César, o momento exige decisões concretas, transparência e capacidade de execução, quer na resposta imediata às listas de espera, quer na definição do futuro da rede hospitalar regional.

“A saúde nos Açores não está melhor. Infelizmente, está pior”, concluiu.