Francisco César defendeu, esta sexta-feira, que a Autonomia deve ser usada “com visão” para construir o futuro dos Açores, considerando que celebrar Abril não pode ser apenas recordar o passado, mas também assumir a responsabilidade de fazer melhores escolhas para a Região.
A posição foi assumida na iniciativa Café Europa, subordinada ao tema “Liberdade, Autonomia e Europa: 50 anos de Liberdade, Democracia e 40 anos de integração europeia”, promovida pelo Eurodeputado André Franqueira Rodrigues, realizada no Convento de Santo António, na Lagoa, na véspera das comemorações do 25 de Abril.
Perante os presentes, Francisco César afirmou que “a Autonomia dá-nos instrumentos, dá-nos capacidade de decidir prioridades e de responder à nossa realidade”, sublinhando, no entanto, que essa capacidade “só tem valor quando é usada com visão”.
Na intervenção, o socialista ligou o espírito de Abril à afirmação autonómica dos Açores, defendendo que a liberdade conquistada em 1974 abriu caminho a uma nova etapa de participação democrática, de responsabilidade política e de aproximação do poder aos açorianos.
“A Autonomia não é um ponto de chegada, mas um processo construído ao longo do tempo, com a participação, a afirmação e a vontade dos açorianos”, afirmou, lembrando que instituições como a Assembleia Legislativa e o Governo Regional são hoje parte natural da vida democrática açoriana, mas resultam de “um percurso feito de escolhas” e da capacidade dos açorianos “decidirem por si”.
O Presidente do PS Açores recordou que o percurso dos Açores desde o 25 de Abril foi feito a partir de uma realidade marcada por profundas fragilidades, nomeadamente a pobreza, os baixos níveis de qualificação, o isolamento entre ilhas, a falta de infraestruturas, as dificuldades de mobilidade e as carências habitacionais.
Reconhecendo os avanços alcançados ao longo das primeiras décadas de Autonomia, Francisco César destacou a importância de uma visão estratégica centrada nas pessoas, defendendo que o desenvolvimento dos Açores passa, antes de mais, pela educação, pela qualificação, pelo conhecimento e pela coesão social.
“Investir nas pessoas não é uma opção. É a única forma de garantir futuro”, afirmou.
Francisco César considerou que os Açores precisam de recuperar ambição e esperança, apontando como prioridades a educação, a habitação, os transportes públicos, os serviços públicos e a criação de oportunidades para os jovens.
Na área da educação, defendeu que esta deve ser assumida como um Projeto de Interesse Comum, envolvendo a República, o Governo Regional, as autarquias, as instituições e a sociedade, com o objetivo de garantir que nenhuma criança ou jovem fica para trás e que ninguém abandona a escola por razões sociais.
“Num espaço de uma geração, podemos dar um salto decisivo na qualificação e colocar os Açores ao nível da Europa”, afirmou.
Na habitação, Francisco César defendeu mais respostas para os jovens que querem iniciar a sua vida e para as famílias da classe média que trabalham, contribuem e continuam sem conseguir encontrar uma solução no mercado.
Nos transportes, apelou à criação de um sistema moderno, regular, eficiente, acessível e “tendencialmente gratuito”, considerando que a mobilidade deve ser encarada como um verdadeiro serviço público ao serviço dos açorianos.
Ao longo da intervenção, Francisco César deixou também críticas à atual governação regional, considerando que há problemas que não podem ser tratados como normais, nomeadamente na saúde, nos transportes, na habitação, na educação, no turismo, na economia, na cultura, nos apoios sociais e no combate à pobreza.
Para o socialista, o espírito de Abril continua atual precisamente porque obriga a não aceitar como inevitável aquilo que pode ser mudado.
“Abril foi recusar desculpas, assumir responsabilidades e romper com o que parecia inevitável”, declarou.
Francisco César concluiu defendendo que os Açores devem usar a liberdade e a Autonomia para construir uma Região mais justa, mais coesa e mais ambiciosa.
“Celebrar Abril não é apenas recordar o passado. É decidir o futuro, é usar a liberdade que conquistámos para fazer melhores escolhas, para exigir mais e para não aceitar como inevitável aquilo que pode ser mudado”, afirmou.
O líder dos socialistas açorianos terminou a intervenção defendendo “uns Açores que não aceitam ficar para trás”, “que não se resignam” e “que escolhem fazer mais e fazer melhor”, evocando uma das expressões maiores de Abril: “O povo é quem mais ordena.”