O Presidente do PS Açores, Francisco César, manifestou esta segunda-feira profunda preocupação com a situação do setor turístico na Região, na sequência de uma reunião com a delegação regional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT), durante a qual foram identificados vários sinais de abrandamento e ausência de resposta estratégica por parte do Governo Regional.
“Começamos a ver uma situação em que o turismo está a cair, numa altura em que este setor é absolutamente decisivo para a economia regional, para o emprego e para a criação de riqueza nos Açores”, afirmou.
O líder socialista apontou dados que considera inquietantes, como a quebra na ocupação do alojamento local e a previsão de menos 8% de lugares disponíveis na época alta, sublinhando que estes números demonstram a fragilidade da atual política para o setor. “Não é possível ter menos voos, menos lugares disponíveis e depois achar que vamos ter mais turistas. A matemática é clara”, frisou.
Para Francisco César, um dos principais problemas está na ausência de uma estratégia de promoção turística clara e coerente. “Não conhecemos o caminho da promoção turística da Região, não sabemos o que está a ser feito na contratualização de operações, nem que medidas estão a ser tomadas para garantir mais voos e mais acessibilidades para os Açores”, criticou.
O Presidente do PS Açores recordou ainda a perda recente de ligações aéreas por parte de companhias como a Ryanair, bem como a saída anterior da EasyJet, alertando para o risco acrescido que os processos de privatização da SATA e da TAP podem representar para a conectividade da Região. “Precisamos de mais acessibilidades, de mais promoção e de mais cooperação institucional. Sem isso, comprometemos seriamente o futuro do turismo açoriano”, defendeu.
Francisco César considerou também que o problema não está apenas no volume de investimento realizado, mas sobretudo na sua eficácia. A esse propósito, comparou o investimento feito na presença dos Açores na BTL com os resultados alcançados por outras regiões. “O stand dos Açores custou cerca de 800 mil euros. O da Madeira custou muito menos, cerca de 170 mil euros, mas a diferença é que a Madeira tem o turismo a crescer e nós temos o turismo a cair. O que falhou foi a eficácia da promoção e da contratualização das operações”, afirmou.
O Presidente do PS Açores sublinhou que o turismo é um setor estruturante para a economia açoriana, não apenas pela receita que gera, mas também pelo impacto direto no emprego, nos salários e na valorização do território. “Os empresários do turismo promovem a Região, empregam pessoas, pagam salários e ajudam a preservar aquilo que temos de mais valioso, que é a nossa natureza. Por isso, este é um setor que tem de ser tratado com visão e responsabilidade”, disse.
Francisco César aproveitou ainda para exigir explicações políticas sobre as investigações que envolvem a área do turismo e a atuação do Governo Regional, considerando incompreensível o silêncio do seu Presidente. “Há uma investigação que envolve diretamente o Governo Regional e o Presidente do Governo está desaparecido há vários dias, remetido ao silêncio. O Governo tem de dar explicações e o Presidente do Governo tem a obrigação de assumir essa responsabilidade”, afirmou.
Para o líder socialista, o momento exige transparência, capacidade de intervenção e uma avaliação política séria sobre as condições em que o Governo Regional continua a conduzir o setor do turismo. “Se já enfrentamos uma conjuntura externa difícil, marcada por instabilidade internacional e aumento do custo de vida, estragar o turismo nos Açores seria um erro com consequências económicas muito graves para a Região”, concluiu.