Opinião

Tanta espera

Todos conhecemos alguém que espera por uma consulta ou por uma cirurgia há demasiado tempo.
Estes relatos não são exceções, são o retrato de um sistema que se tem degradado, mesmo com reforços orçamentais, investimentos em equipamentos e valorizações profissionais.
Tendo em consideração dados de outubro de 2025, no Hospital da Terceira um utente espera em média por uma cirurgia: 1 ano, 1 mês e 29 dias; ou seja, espera agora mais 2 meses e 9 dias do que em 2019 ou, em linguagem PPDiana, do que no tempo do PS. 
Mais de 3 mil açorianos esperam por uma cirurgia no HSEIT, quando em 2019 eram menos de 2 mil, e esperam cada vez mais tempo.
Nos cuidados de saúde primários a nível regional o cenário também é preocupante.
Até setembro de 2025 realizaram-se menos 9351 consultas nos Centros de Saúde em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Menos consultas traduzem-se em menos prevenção, menos diagnóstico e mais recurso às urgências, o oposto do que deveria ocorrer.
E como ignorar os constantes atrasos no Complemento Especial ao Doente Oncológico, que aprofundam sofrimento onde já existe fragilidade.
O problema é estrutural: faltam profissionais, há incapacidade de fixação, o que é normal quando não se pagam os apoios à fixação desde 2023, há maior dependência de prestadores externos e desorganização interna.
O PS propôs, no Plano para 2025, um investimento extraordinário de 1,5 milhões de euros para reduzir listas de espera, foi rejeitado pela coligação.
Este ano, com tempos de espera a aumentar e as consequências visíveis, lá a Coligação aceitou a proposta do PS para reforçar em 1 milhão o CIRURGE, correndo atrás do prejuízo.
É caso para dizer, como Bolieiro: Tanta espera feita, tanta cirurgia por fazer!